Iniciativa

Uma ação integrada de política pública dedicada ao reforço de competências digitais

No mundo em que vivemos tornou-se indispensável que todos os cidadãos sejam capazes de conviver com práticas cada vez mais desmaterializadas. Essas práticas têm como habitat natural a Internet, sendo a mediação normalmente feita através de dispositivos eletrónicos. No caso da população ativa, aprendizagem, produtividade e competitividade são igualmente variáveis cada vez mais dependentes do digital, obrigando a uma crescente exigência de competências digitais para o exercício de diferentes profissões.

Portugal, embora se encontre na mediana europeia em matéria de competências digitais (15º no Índice DESI 2017, Digital Economy & Society Index, da Comissão Europeia; Figura 1), precisa de reforçar as competências básicas em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), sobretudo em termos do capital humano e dos níveis de utilização da Internet, evitando que se cristalizem num limiar preocupante e, mesmo no que toca a especialistas, necessita de ter condições que lhe permitam aproveitar a crescente oferta de emprego digital.

Dispomos, para esse efeito, de uma infraestrutura formativa e de potencial humano capaz de ser (re)qualificado para responder às exigências da oferta de emprego típica das sociedades modernas, como é a portuguesa. Porém, essa (re)qualificação é uma missão exigente que requer uma mobilização e uma conjugação de esforços das diferentes áreas da governação e da sociedade civil. É esse o principal propósito do XXI Governo com a “Iniciativa Nacional em Competências Digitais e.2030, Portugal INCoDe.2030”.

Portugal deve promover um novo quadro de competências digitais orientado para o futuro e para as oportunidades que emergem, estimulando um quadro renovado de confiança nas novas gerações.

Essas competências, projetadas até 2030, estão associadas ao próprio exercício da cidadania. Um país com cidadãos mais proficientes no mundo digital é também um país com pessoas mais incluídas, mais participativas e mais aptas a lidar com a sociedade da qual fazem parte.

As competências digitais estão também intrinsecamente ligadas à empregabilidade – a digitalização do mercado de trabalho exige novas capacidades. Uma população ativa mais capaz gera mais empregos novos, assim como mercados e produtos inovadores, gerando atividades económicas mais competitivas e robustas.

Simultaneamente, o País deve ser um agente ativo no esforço global de produção de novos conhecimentos em computação científica e no desenvolvimento da capacidade de gestão e uso de grandes quantidades de informação, de forma a garantir um melhor posicionamento na Europa e no Mundo. Não podemos esperar para saber quais são as novas tecnologias, criamo-las, trabalhamos nelas e com elas.

Criar uma sociedade mais resiliente implica estimular novas competências, designadamente digitais, que estão em contínua mutação e evolução e, ao mesmo tempo, exige uma melhor preparação da população para um quadro de crescente incerteza, reconhecendo-se que existem desigualdades que exigem modelos de preparação diferenciados.

É neste contexto que a Iniciativa Portugal INCoDe.2030 inclui uma ação integrada de política pública orientada para estimular e garantir o desenvolvimento de competências como instrumentos de suporte à preparação das novas gerações para o “desconhecido”, apostando crescentemente em novos conhecimentos e na capacidade de criar novos empregos – mais qualificados e com melhor remuneração – incentivando a capacidade empreendedora dos mais jovens.

Figura 1: Posicionamento relativo de Portugal em matéria de competências digitais no índice DESI 2017

Em que consistem as competências digitais?

No âmbito da Iniciativa Portugal INCoDe.2030, o conceito de Competências Digitais é assumido de forma abrangente e incluindo a noção de literacia digital (i.e. da capacidade de aceder aos meios digitais e às TIC, para compreender e avaliar criticamente conteúdos, bem como comunicar eficazmente), assim como de produção de novos conhecimentos através de atividades de investigação, desenvolvendo-se à luz de matérias que incluem o processamento de informação, a comunicação e interação e o desenvolvimento e produção de conteúdos digitais.

O conceito de Competências Digitais está ainda ligado à utilização das tecnologias digitais para a conceção de novas soluções para problemas de natureza diversa, à integração de conhecimento interdisciplinar e análise de dados, à utilização intensiva de inteligência artificial, ao recurso a instrumentação avançada e a redes de comunicação e sistemas móveis e ao desenvolvimento de sistemas ciberfísicos, bem como à sua programação. Tal envolve hardware e software e alarga o conceito das TIC à eletrónica, à automação e à robótica1.

Para cada uma destas áreas é possível desenvolver competências com diferentes níveis de profundidade e proficiência, dependentes da qualificação e dos objetivos a alcançar. Esses diferentes níveis refletem-se no tipo de medidas a promover de forma inclusiva e abrangente a toda a sociedade.

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1 Este conceito alargado das TIC tem merecido, frequentemente, em Portugal, a designação de TICE. Porém, a designação consagrada na terminologia inglesa é “ICT” pelo que manteremos o acrónimo TIC.

Para uma leitura da versão integral da Iniciativa Portugal INCoDe.2030 use a hiperligação:
Portugal INCoDe2030 - versão integral (PDF, 1,1MB)