TOMORROW SUMMIT 2020: PANDEMIA “PÔS A NU” AS DIFICULDADES QUE EXISTEM NO CAMPO DAS E-SKILLS

25/11/2020

Sapo Tek

Entrevista 
Nuno Feixa Rodrigues, Coordenador da Iniciativa nacional INCoDe.2030 e Vogal do Conselho Diretivo da Fundação para a Ciência e Tecnologia
A necessidade de uma maior aposta nas competências digitais e os desafios que o país enfrenta nesta área estiveram destaque na abertura do primeiro dia de sessões da conferência promovida pela Federação Académica do Porto (FAP).
A pandemia de COVID-19 trouxe uma nova visão sobre a importância das competências digitais. No primeiro dia da edição de 2020 do Tomorrow Summit, a conferência E-skills reuniu Pedro Duarte, da Microsoft Portugal, Nuno Feixa Rodrigues, Coordenador da Iniciativa nacional INCoDe.2030, e José Martins Ferreira, antigo vice-reitor da Universidade do Porto, para um debate centrado nas novas competências na aprendizagem, na literacia, na participação social, na vida quotidiana e no mercado de trabalho dos cidadãos.
Para abrir a sessão, Nuno Feixa Rodrigues, relembra que, em Portugal, ainda há muito trabalho a fazer do ponto de vista das competências digitais. Fazendo referência aos mais recentes dados do Índice de Digitalidade da Economia e da Sociedade (DESI) da Comissão Europeia, o responsável sublinha a importância da inclusão digital, uma vez que 22% da população portuguesa nunca utilizou a Internet.
O número de especialistas TIC nas empresas está abaixo da média da União Europeia, existindo também desníveis no que toca aos diplomados em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e em matéria de igualdade de género.
A pandemia de COVID-19 veio “pôr a nu” as dificuldades que existem e é necessária uma aposta cada vez maior nos programas de qualificação e requalificação, algo que a iniciativa INCoDe.2030 tem vindo a apoiar através de vários programas nacionais e parceiras com entidades internacionais.

Já José Martins Ferreira destaca as necessidades trazidas pela transformação no mundo do trabalho, com uma grande ênfase na Inteligência Artificial, na colaboração na Cloud e na realidade mista, indicando que, daqui a cinco ou dez anos, os jovens estarão a trabalhar em profissões que ainda não existem atualmente.
Cada uma das áreas traz um conjunto de novos desafios com os quais teremos de aprender a lidar. O professor destaca, por exemplo, a questão da privacidade, relembrando que, os nossos dados pessoais são a “moeda” usada para pagar o uso de certas plataformas e serviços online gratuitos.
Estabelecendo um paralelo com a 4ª revolução industrial, Pedro Duarte, afirma que esta nova fase marcada pelo digital tem um impacto “absolutamente transversal nas nossas vidas”, incluindo o mundo da formação e do trabalho.
O responsável da Microsoft Portugal destaca que 30% dos empregos tecnológicos não serão preenchidos devido à escassez de talentos. Além disso, 70% dos empregos atuais serão significativamente diferentes ou completamente obsoletos na próxima década. Neste panorama, estima-se também que 30% dos quadros mais qualificados são necessários para preencher vagas em áreas como data science e machine learning.
O decréscimo do peso dos empregos que estão relacionados com tarefas repetitivas é uma tendência que se tem vindo a intensificar nos últimos anos. Citando dados do estudo “O Futuro do trabalho em Portugal: O imperativo da requalificação”, de 2019, Pedro Duarte refere que 50% das tarefas feitas no mundo de trabalho são automatizáveis, uma percentagem poderá aumentar para 67% em 2030.
Acredita-se que, devido à pandemia de COVID-19, existam cerca de 250 milhões de desempregados até ao final deste ano. Por outro lado, as circunstâncias da crise de saúde pública estão a promover e a acelerar a criação de emprego nas áreas digitais. Neste contexto, “como criamos uma oportunidade?”, questiona Pedro Duarte.
Para o responsável, há três pontos essenciais para ligar a formação às oportunidades de emprego: a identificação das funções mais procuradas e das competências mais necessárias; o acesso a percursos de aprendizagem e a conteúdos alinhados com essas competências, assim como o acesso a certificações e ferramentas de procura de emprego.
“Esta é uma missão para todos”, explica Pedro Duarte, enfatizando o investimento que tem de ser feito quer por decisores, mas também por entidades de formação e empresas, como a Microsoft que lançou neste ano a Digital Skills Initiative. “Se queremos vingar temos de ser ousados”.
E-skills: Os desafios num mundo em constante mudança
Para Nuno Feixa Rodrigues, a pandemia veio reforçar a necessidade das iniciativas desenvolvidas no âmbito do INCoDe.2030, sublinhando a adaptação dos projetos, por exemplo, a nível do ensino, que passaram para o mundo digital. Em linha com o responsável, Pedro Duarte indica que toda esta transformação implica um grande trabalho de adaptação dos processos e que não basta fazer o que já fazíamos antes só que num meio digital.
Para muitos estudantes fora da área das STEM, existe a preocupação de “perder o barco” e de não conseguir adaptar a sua formação às necessidades do mercado. O reforço da aprendizagem através das ferramentas online é para José Martins Ferreira uma das formas de colmatar o problema, mas é também necessário assegurar que os estudantes, independentemente da sua área de estudos, consigam adquirir uma formação que vá, de facto, ao encontro das necessidades do tecido empresarial.
 

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