Haverá antídoto para a desinformação?

Haverá antídoto para a desinformação?

As sociedades atuais são eminentemente digitais, pelo que se torna vital para os cidadãos que as constituem adquirirem as competências que lhes permitam utilizar a tecnologia, isto é, possuírem literacia digital.

Mas será que o domínio da tecnologia é suficiente para enfrentar a enorme complexidade dos desafios que a era digital comporta?

Pensamos que o domínio da tecnologia é condição necessária para a integração nos novos tempos, mas não é, de todo, condição suficiente. Dominar a tecnologia proporciona, sem dúvida, a destreza necessária para a interação inerente à participação. Todavia, a fruição do universo digital, para atingir um patamar adequado a seres pensantes, exige, para além da utilização ágil e do acesso fácil aos equipamentos e recursos digitais, a possibilidade de compreender e apreciar criticamente os conteúdos que se apresentam, bem como a capacidade de exercer com ética e responsabilidade os direitos e deveres de cidadania.

A este conjunto de “saberes”, do qual se destacam a literacia digital e a literacia da informação, dá-se a designação mais ampla de Literacia Mediática, a qual inclui três tipos de aprendizagens:

  • Saber procurar, guardar, arrumar, partilhar, citar, tratar e avaliar a informação pertinente, atentando também à credibilidade das fontes;

  • Compreender criticamente os media e a mensagem mediática, no sentido de perceber quem produz, o quê, porquê, para quê, por que meios; e

  • Expressar e comunicar ideias através do uso criativo e responsável dos media, exercendo uma participação cívica eficaz.

Veja-se a este propósito a Recomendação n.º 6 /2011 do Conselho Nacional  de Educação sobre Educação para a Literacia Mediática.

Como se torna cada vez mais evidente a cada dia que passa, a desinformação (termo mais adequado para designar aquilo que popularmente se tornou conhecido como fake news) vem adquirindo especial proeminência, ao ponto de se generalizar a perceção de que está a minar a confiança dos cidadãos nas instituições e a corroer o sistema democrático, sendo muito difícil combater este fenómeno sem pôr em causa princípios e valores fundamentais das sociedades livres, abertas e fundadas no acervo de direitos humanos consensualizados ao longo das últimas décadas, em especial no pós II Guerra Mundial. Na verdade, as abordagens assentes no controlo dos conteúdos apresentam sempre elevado risco de séria limitação à liberdade de expressão e, por essa via, aos demais direitos fundamentais, pois numa sociedade de pessoas amordaçadas não é possível gritar, exigindo o respeito pelos direitos dos cidadãos.

Neste quadro, adquire especial relevo a literacia mediática, pois através do empoderamento dos cidadãos, habilitando-os a saberem identificar as campanhas de desinformação, evitam-se abordagens sensórias, com todos os custos daí decorrentes.

Sérgio Gomes da Silva
Diretor de Serviços de Política Legislativa para os Media

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