O desafio da inteligência artificial na Administração Pública

No passado dia 24 de outubro foram apresentados os primeiros 15 projetos promotores do uso de inteligência artificial na administração pública, no âmbito de um concurso de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico em Ciência dos Dados e Inteligência Artificial na Administração Pública, lançado pela FCT, abrangendo os domínios da saúde, educação, mobilidade urbana e ordenamento do território. Ainda este ano abrirá novo concurso, pelo que brevemente outros se seguirão.

Trata-se de aproveitar e incorporar os avanços científicos e tecnológicos da área da ciência dos dados e da inteligência artificial na criação de soluções de melhoria dos serviços públicos, baseadas mais no conhecimento das realidades e experiências dos cidadãos do que nas intuições e ideias preexistentes sobre as situações em que temos de intervir.

A junção da ciência dos dados, da aprendizagem automática e do alto poder computacional constitui um importante contributo para transformar o elevado manancial de dados disponível na administração pública, em informação relevante (encontrando padrões) e conhecimento transformador (antecipando falhas e otimizando ações) quer ao nível dos processos de decisão, relativos a matérias com impacto crítico na vida dos cidadãos, quer no relativo a melhoria de processos operacionais, reduzindo prazos e obtendo respostas mais eficazes face a necessidades apresentadas.

A criação e exploração destas novas possibilidades de transformação dos serviços públicos, com maior produção de benefícios para os cidadãos e empresas, exige competências humanas e organizacionais específicas, facilitadoras de um ambiente propício e capaz de analisar as situações e os processos e imaginar e desenhar novas soluções, fundadas nas novas possibilidades de uso da informação e capacidades computacionais de processar, aprender e projetar um novo modelo de ação mais inteligente e eficaz.

No sentido de potenciar o aproveitamento desta oportunidade de melhoria do serviço público, por via da utilização da inteligência artificial na ação dos organismos públicos, o INA identifica dois vetores de intensificação da qualificação dos trabalhadores da administração pública.

  1. Definir e implementar ações de capacitação para o desenvolvimento de perfis profissionais competentes para desenvolver e atuar neste novo contexto de ação (Projeto AP Digital 4.0), quer ao nível tecnológico, quer gestionário;
  2. Promover a aquisição de competências digitais básicas por todos os trabalhadores que ainda apresentem lacunas a este nível, procurando a sua inclusão em ambientes de trabalho tendencialmente mais digitais e inteligentes (Projeto Infoexclusão Zero).

O desafio da Inteligência Artificial nos serviços públicos exige dirigentes e trabalhadores com mais e diferentes competências digitais. Contem connosco para não perdermos esta oportunidade.

Marina Pereira
Diretora de Serviços no INA
Membro do Secretariado Técnico INCoDe.2030

 

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