A Importância da Inteligência Artificial (IA)

A Importância da Inteligência Artificial (IA)

Ao longo do processo evolucionário, houve sempre uma relação especial entre os humanos e as ferramentas ou utensílios. Eram usadas para caçar, para a defesa e a guerra, na agricultura e no comércio e, mais recentemente, deram lugar à revolução industrial e, mais tarde, aos computadores e à “world wide web”.

Até à 2ª Guerra Mundial as ferramentas eram sempre controladas pelos humanos, mas isso deixou de acontecer quando vemos o papel dos robôs, do reconhecimento automático da fala ou da compreensão da linguagem natural ou da condução autónoma. Estes avanços foram alimentados pela IA, que não é mais do que uma tecnologia avançada inventada pelos humanos. Na minha opinião, a IA está a contribuir para a necessidade evolucionária da preservação da espécie humana. De facto, o cérebro humano  evoluiu para se tornar num sistema de representação interna para uso individual, com a finalidade de aumentar a probabilidade de sobrevivência dos humanos. Mas desde que começámos a viver em sociedade, o cérebro teve de evoluir a fala como um meio de comunicar com outros cérebros humanos, mas a largura de banda da comunicação falada é espantosamente baixa: no máximo, conseguimos dizer 150 palavras por minuto. Assim sendo, leva-nos imenso tempo a exprimir os nossos pensamentos e apenas conseguimos comunicar um parte minúscula do que se passa na nossa mente. Então, através da civilização, os humanos foram inventando tecnologia para exteriorizar o conhecimento e fazer avançar a sociedade: primeiro através da imprensa e dos livros, depois a informática e agora a web.

Isto explica por que é que o atual desenvolvimento tecnológico é cada vez mais centrado na mente, com o objetivo de criar um repositório externo de conhecimento, facilmente acessível, para facilitar a comunicação humana como uma vantagem para aumentar a nossa sobrevivência, como espécie.

A última ferramenta neste arsenal é a IA, que pode ser definida de modo geral como o desenvolvimento de máquinas que conseguem pensar e aprender. A IA e o pensamento humano são muito diferentes mas sinergísticos, complementando-se mutuamente. A IA é francamente melhor a processar grande quantidades de informação quantitativa enquanto os humanos são muito mais intuitivos e conseguem fazer melhores decisões num ambiente de incerteza. A atual geração de ferramentas de IA apenas consegue dar conta de uma pequena dose de incerteza e depois começa a falhar, e é ainda totalmente inapta em situações que têm interpretações simultâneas conflituantes. Contudo, não vejo qualquer impedimento de que se continue a avançar a IA, nestes domínios. Através da automatização do processamento de informação, a IA permitirá a complexificação da sociedade para além das limitações físicas do corpo e mente dos humanos

Estejamos, portanto preparados para ver a IA como facilitadora da inovação, continuando a mudar tudo na sociedade, a nível de empregos, processos, empresas, doutrinas sociais e políticas e o modo como vivemos, interagimos e fazemos negócios.

José C. Príncipe, Ph.D.
Distinguished Professor ECE
Eckis Professor of ECE
Director Computational NeuroEngineering Lab
University of Florida, US

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