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Caso de Sucesso: Clube de Robótica da Escola de São Gonçalo

1. Em que é que consiste o Clube de Robótica da Escola de São Gonçalo e o que é que vos motiva a apostar nesta área?
O Clube de Robótica da Escola de São Gonçalo, em Torres Vedras, foi criado em 2007, e atualmente é constituído por aproximadamente 70 alunos, 6 professores e uma psicóloga. No clube temos como plano de trabalho contemplar a construção de robôs e a programação dos mesmos, visto que a atividade de aprender a programar assim como a construção de robôs, permite, de uma forma simples, a compreensão das matérias lecionadas no âmbito curricular, com enfoque nas áreas STEM – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
As ciências da computação e a robótica, como área de conhecimento multidisciplinar, são fundamentais no currículo escolar dos alunos. A atividade de robótica, o aprender a programar e elaborar software, através de uma metodologia de projeto, permite que os alunos compreendam o que é uma máquina programada e desenvolvam a capacidade de interagir com a realidade, questionem saberes estabelecidos, integrem conhecimentos emergentes e desenvolvam o raciocínio, criatividade, pensamento crítico e abstrato entre outras competências essenciais para o séc. XXI.
O que nos motiva a apostar nesta área é o facto de sabermos que o profissional do novo milénio deverá contar com uma sólida base de conhecimento e, ao mesmo tempo, ser criativo para encontrar soluções para os desafios do futuro. Os alunos de hoje precisam estar preparados para ampliar horizontes, resolver problemas, atuar no presente e no futuro com sucesso, de modo a adquirirem competências e a estarem qualificados para os novos mercados de trabalho que se advinham. Assim, ao reconhecermos que estamos perante uma nova geração civilizacional e que o ensino nas escolas deve estar preparado para acompanhar o progresso, leva-nos a utilizar um processo de ensino/aprendizagem com ênfase no desenvolvimento de projetos que permita aos alunos um aprender fazendo, em interação com o meio, e este deverá ser um dos objetivos essenciais para o processo ensino/aprendizagem. O Clube funciona em atividades em regime extracurricular, em articulação com a disciplina curricular de Robótica.
O que se pretende com o projeto é que os alunos conheçam e experienciem um ambiente de aprendizagem interativo, onde o conhecimento se constrói na interação com o meio. Os alunos são desafiados a terem um papel ativo no seu processo de aprendizagem. O facto de serem os atores principais na construção de materiais e saberes explorados no desenvolvimento de projetos simples na área de robótica, tem contribuído para o grande interesse dos alunos em aprender a programar e evoluírem nesta área do conhecimento. Aqui o professor atua apenas como elemento motivador e orientador no processo de ensino/aprendizagem.
A metodologia utilizada consiste em fomentar a partilha de conhecimentos. Por norma, os grupos de trabalho são constituídos por alunos mais velhos, com mais formação, em articulação com alunos mais novos, de modo a promover a troca de conhecimentos assim como uma aprendizagem entre os vários níveis de ensino.
Ao longo dos anos, tem-se constatado um crescimento no interesse dos alunos em participar nas atividades do Clube. A maioria dos alunos com idades compreendidas entre os 10 e os 18 anos têm demonstrado que as atividades desenvolvidas têm tido um impacto deveras positivo nas suas aprendizagens. Salientam ainda o gosto pela construção e manipulação dos robôs e revelam que, por trabalharem na construção de projetos com impacto na sociedade e participarem em concursos é um fator muito motivador para as suas aprendizagens.
Neste quadro, utilizamos uma metodologia de projeto em que o objetivo é fomentar nos alunos a construção e desenvolvimento de projetos com impacto na sociedade. Um exemplo desta metodologia é o projeto “O Mundo na Ponta do Dedo”, desenvolvido no Clube. Neste projeto, os alunos, em colaboração com profissionais de saúde, desenvolveram um "dedo mecânico" controlado por pacientes com mobilidade reduzida, permitindo assim manusear autonomamente equipamentos informáticos. Este projeto foi premiado em inúmeros concursos e foi distinguido com o galardão de investigação aplicada, na VII Gala da Inclusão do Instituto Politécnico de Leiria.
O clube é atualmente apresentado como uma referência nacional na área da Robótica Educativa, pelos prémios que já conquistou, desde 2007, em eventos nacionais e internacionais.
2. Qual é o balanço que fazem até agora e quais são os planos para o futuro?
O balanço dos resultados alcançados pelo clube é bastante positivo, prova disso, é o facto de nos últimos anos, ter aumentado o número de alunos que optam pelo prosseguimento de estudos por vias científicas e tecnológicas, nomeadamente no ano passado, onde 63,44% dos alunos de 9º ano prosseguiram estudos nestas áreas. Constatámos igualmente que 80% dos alunos que participam ou já participaram nas atividades do clube, estão a frequentar cursos superiores na área das engenharias, os restantes 20% estudam na área da matemática, economia ou medicina, nunca perdendo, no entanto, a robótica como linha orientadora.
Ao longo dos 12 anos de existência do clube, vários alunos se consagraram vencedores em concursos nacionais e internacionais, nomeadamente premiados no prémio Ciência na Escola consecutivamente desde 2008, assim como alunos Campeões Nacionais em várias modalidades de robótica consecutivamente desde 2007 e Campeões Mundiais por treze vezes em várias modalidades no Robucup - Campeonato do Mundo de Robótica.
Os planos para o futuro passam por continuar a acompanhar o progresso tecnológico de forma a preparar os nossos alunos para o futuro e assim pretendemos continuar a despertar o gosto pela ciência e tecnologia, nos nossos alunos.
Segundo a opinião do professor Jaime Rei, coordenador do Clube de Robótica da Escola de São Gonçalo, para que novos projetos nesta área do conhecimento possam surgir noutros estabelecimentos de ensino, há semelhança da metodologia utilizada no desporto escolar, é necessário o Ministério da Educação legislar, permitindo a atribuição de tempos letivos aos alunos e professores para a dinamização deste tipo de atividades.
3. Pela vossa experiência, que conselhos dariam a quem pretende investir na educação digital dos mais jovens?
O ensino da programação e robótica deve ser uma prioridade junto das gerações mais jovens, como contributo para estimular e promover a literacia digital de forma simples e intuitiva e combater a infoexclusão. A atividade de iniciação à programação e robótica oferece aos alunos a possibilidade de procurarem de forma autónoma o conhecimento através do desenvolvimento dos seus próprios projetos. Assim, os alunos devem iniciar as suas atividades na área da programação de preferência com recurso a uma linguagem de programação com estrutura intuitiva, de modo a que de forma simples e sistémica construam intuitivamente o seu código e evoluam na construção do algoritmo autonomamente.
A prova evidente de que as alterações já se começam a sentir no interesse destas matérias, é o número crescente de alunos no nosso agrupamento de escolas, que anualmente desenvolvem projetos de sucesso nesta área do conhecimento e por conseguinte, o interesse contagiante cada vez maior nos jovens em quererem aprender a programar.
Para quem quer investir na educação digital dos alunos, o importante é começar a experimentar, proporcionar aos alunos a oportunidade de criar e experienciar. Promover um ambiente de ensino/aprendizagem onde os alunos podem aprender fazendo e desafiá-los a criar projetos, que os levem a pesquisar, pensar, experimentar e onde há espaço para errar e voltar a tentar. Assim, estaremos a preparar cidadãos críticos, capazes de resolver problemas reais autonomamente.
Segundo o professor Jaime Rei: “é excecional todas estas oportunidades, é graças a elas que nós podemos experimentar, e eles experimentam, gostam e de facto obtêm resultados excecionais.”
Filipa Rei
Clube de Robótica
Agrupamento de Escolas de São Gonçalo